Como educador e instrutor, passo boa parte dos meus dias tentando fazer com que conceitos técnicos complexos façam sentido para quem está começando. Com o tempo, percebi que esse esforço para ensinar não é apenas uma "soft skill" educacional; é uma competência técnica disfarçada que mudou a forma como eu projeto sistemas e escrevo código.
Estudar não é acumular informação, é organizar entendimento
Muitos desenvolvedores confundem estudar com consumir conteúdo. Ensinar me mostrou que aprender de verdade exige organização mental. Hoje, quando estudo uma nova tecnologia, como fiz recentemente ao implementar fluxos de mensageria com RabbitMQ, eu me faço uma pergunta constante: “Como eu explicaria isso para outra pessoa?”. Essa mudança de perspectiva garante que eu entenda os fundamentos antes de tentar aplicar a solução.
Código claro é uma consequência da didática
Quando você tenta explicar algo que não entende bem, as incoerências aparecem rápido. No desenvolvimento, trouxe esse critério para o meu dia a dia: se eu não consigo explicar o que um trecho de código faz em poucas frases, ele provavelmente está mal escrito.
Essa exposição constante me treinou a buscar clareza antes da execução. Na prática, isso resulta em:
- Funções menores e objetivas: Cada bloco de código tem uma única responsabilidade clara.
- Nomenclatura semântica: Variáveis e métodos que explicam sua própria existência.
- Redução de dívida técnica: Gambiarras tornam-se difíceis de justificar quando você precisa "explicar" o sistema.
Decompor problemas: A habilidade comum entre o professor e o dev
Uma boa aula começa pelo fundamento, não pelo detalhe técnico. Ensinar lógica e algoritmos me obrigou a quebrar problemas grandes em partes compreensíveis. Ao projetar arquiteturas em Node.js com Clean Architecture, passei a pensar como instrutor: qual é a responsabilidade real desse módulo? O que acontece se alguém mexer aqui sem entender o todo?.
Comunicação técnica como parte da engenharia
Grande parte dos problemas em projetos de software não vem de código ruim, mas de comunicação ruim. Ter que ajustar minha linguagem diariamente para diferentes perfis de alunos me tornou um colaborador melhor em times técnicos. Pull requests ficam mais claros, documentações tornam-se mais objetivas e as decisões técnicas ficam mais fáceis de serem justificadas para o time ou para o negócio.
Conclusão
Trabalhar minha didática não me afastou do desenvolvimento de software. Pelo contrário, ela me ensinou a pensar melhor antes de codar. Se você quer evoluir como desenvolvedor, aprenda a explicar o que você já sabe. Ensinar é uma das formas mais rápidas, e mais negligenciadas, de se tornar um programador melhor.